Das ribeiras frias da Beira Baixa às águas mornas do Algarve,
passam-se os dias quentes de um Verão sempre breve. Já se avizinha o fim das
férias, para a capital regressam apenas os momentos doces e solarengos, em
forma de memória. O calor não dá de si, os dias não surgem mais curtos. É difícil
sentir a falta do vento e das folhas do Outono.
Noto então o regresso de Setembro, sinónimo de mudança. O Verão dá os
últimos suspiros. Vai acordar pachorrenta a nova estação e, com ela, todo um
novo panorama do nosso quotidiano.
Cortar-se-ão as pontas secas pelo sol e pela
água salgada, o bronzeado desvanecerá e será dito um longo adeus aos amores de
Verão. Trocar-se-ão os refrescos e os gelados por cafés e chocolates quentes,
os chapéus e panamás por gorros e boinas, as toalhas e os pareus por casacos e
sobretudos. As grandes superfícies encher-se-ão de paizinhos e mãezinhas que
envolvidos na atmosfera do regresso às aulas, não repararão que as montras
gritam o regresso triunfal dos casacos, das botas e das malhas.
Aproximam-se as mudanças de visual que a estação fria propicia e de um
momento para o outro, toda a cor e luz característica do Verão irá perder
sentido e espaço para a agitação e sobriedade dos meses das castanhas. Será então
impossível esperar e desesperar pelos dias frios e mal dispostos da nova
estação, enquanto ainda estiver presente o sabor salgado dos dias longos e
quentes de que nos despedimos.
Podes ir Verão, mas por favor, volta depressa…
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