Hoje em dia, notabiliza-se tudo e
mais umas botas. Já se ultrapassou os dias festivos e feriados tradicionais/religiosos
que correspondem à celebração de grandioso evento passado que muito marcou o mundo
ou o país. Começou-se com os santinhos e alastrou-se a tamanha dedicação a
todos os fenómenos e graus de parentesco existentes na sociedade. Não seja algo
que me incomode, até porque me divirto a assistir à capacidade que temos de não
deixar ninguém sem o seu dia especial, já que com tantos e tão variados algum
nos há-de calhar.
Venho hoje prever o próximo
domingo. Não me esforçando a fugir do cliché
de que o dia de solenizar as senhoras nossas mães deveria ser todos os dias, é
um domingo que de fato merece algum cuidado e atenção.
Sofro sempre do mesmo mal. Ora a
senhora minha mãe de tanto que me dá, pouco sobra no mundo para retribuir. E porque
retribuir neste dia é algo que requer tamanha imaginação e sentimentalismo tenho
a impressão que fico sempre aquém das espectativas da minha mãe no que toca aos
meus deveres de filha.
Sei que ela ainda não dedicou
nenhum minuto dos seus dias para pensar que este ano não vamos passar o DIA DA
MÃE juntas. Já que pouco tempo perdi à procura da
lembrança ideal, que carinhos e meiguices hoje em dia parecem não chegar, venho
por este meio referir-lhe, que os beijinhos e outras ternuras chegarão por
correio.
Eu, muito pouco inventiva e
prendada nestas alturas para fazer algo com as minhas próprias mãos, vou
procurar um livro. E porque o amor que a minha mãe tem
pelos livros é quase tão grande como o amor que tem por mim, espero escolher um que lhe encha as medidas e compense a minha ausência..
'Mulher tu sabes o quanto eu te amo, O quanto eu gosto de ti. E que eu morra aqui, Se um dia eu não te levo à América Nem que eu leve a América até ti'
Hoje celebra-se a expressão vocal.
Tenho-vos a dizer que é um dia com que me identifico, até porque é um assunto
delicado para mim. Os meus ouvidos atraiçoam-me, cedendo-me a ideia de uma voz
aprazível e tolerável. Aparentemente, quando abro a boca tudo descamba. Já ouvi
de tudo. Esganiçada, finíssima, irritante, com pouca amplitude. Claro que com
os anos, fui tentando modificar estas características. Hoje, quando me oiço
numa qualquer gravação, o meu instrumento vocal não me parece tão incomodativo. Ora,
quando se é comunicativa (como eu gosto de ser), ter
confiança na voz é essencial para o meu bem-estar e dos que me
rodeiam e são obrigados a ouvir-me (ahah). Desejo, por isso, que com os anos, a
minha voz fique válida para a rádio e para a televisão, já que é da comunicação que eu quero fazer carreira.
Deixo-vos então, com uma das
minhas vozes preferidas. Chris Martin, tu acalmas-me..
Gosto do bonito. Gosto de coisas
bonitas e até do bonito que reside no desengraçado. Gosto do bonito que existe
na perfeição e na subtileza de todas as coisas. Gosto do bonito que se manifesta
no perturbador e na arte de se ser grotesco. Gosto do feio-bonito e do bonito-bonito.
Gosto da perfeição e do imperfeito, do correto e do incorreto. Gosto do inteiro
e do partilhado. Aprecio particularmente o doce, mas não rejeito o amargo. Gosto
do à vontade e até do aperto. Contento-me com o ficar, mas prefiro o ir. Gosto de
perto, evito o longe. Gosto do frio e do quente. Gosto do cheiro da relva e dos eucaliptos. Gosto do vento, gosto da brisa.
Gosto da chuva. Gosto do mar e da terra. Gosto do beijo. Gosto do abraço. Gosto de ver, ouvir, tocar, provar e
cheirar – da harmonia dos cinco sentidos. Gosto de mim. GOSTO DE TI.
Ontem saí de casa confiante de
que o sol iria brilhar. Não sei porquê, mas meti na cabeça que estaria um dia
solarengo, com uma brisa agradável. Aqueles dias mesmo apetecíveis, sabem?
Claro que saí de casa mal agasalhada e com roupa que pouco combina com a chuva.
No regresso, já estava completamente encharcada e cheia de frio. ‘Mas
porque é que eu não trouxe a gabardina?’ Pensava eu. Sim, porque adoro a minha
e não é todos os dias que a posso usar.
Gosto principalmente das
gabardinas com cinto, que se ajustam à cintura enaltecendo os contornos
femininos. Não sei porquê, mas acho que há algo de verdadeiramente enigmático e
sensual na utilização de uma gabardina. Curta ou comprida, com e sem mangas, a
gabardina é uma peça verdadeiramente intemporal, que devia constar de todos os
armários para os dias de chuva e não só.
Depois de uma semana (que mais
pareceu um único dia) estou de volta! Tenho a confessar que estava um pouco
reticente à ida para o Curso de Monitores-Animadores da Jovens Seguros, mas agora
digo que foi a melhor experiência que tive nos últimos tempos. Tinha a vantagem
de já ter sido utente na colónia fechada Jovens Seguros, mas nada me poderia
preparar para o que viria aí. Numa semana, fizemos o que numa colónia se faz em
duas.
Sangue, suor e lágrimas - quase
que chega para definir os dias que partilhei com inúmeros jovens de várias
partes do país e que não conhecia. Tudo gente boa, claro. A um ritmo alucinante
adquirimos as competências necessárias para monitorizar pessoas dos oito aos
oitenta.
No meio de inúmeras experiências
partilhadas, poucas horas de sono, sorrisos, músicas, lágrimas e gargalhadas
ficaram memórias para o resto da vida. Obrigada a todos!